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Electro em dose dupla

Em alta em São Paulo e nas principais pistas do mundo, o electro vai receber mais um reforço luxuoso. A noite Atomik, do clube A Loca, que acontece um sábado por mês, passa a ser quinzenal a partir de março. Além de ampliar as opções para os fãs do gênero, o “inferninho” paulistano também trará novidade nas picapes. O atual comandante Luca Lauri vai dividir a residência da noite com Márcio Vermelho, um dos DJs mais badalados da cidade.

Orgulhoso, quero pontualizar que a parceria já foi testada e aprovada em novembro de 2005, na festa de lançamento deste blog, no clube Vegas. Naquela oportunidade, a dupla mostrou visões diferentes e complementares do gênero electro, sendo que Luca mantém um estilo mais roqueiro, enquanto Vermelho passeia por vertentes da house music.

A noite terá ainda convidados eventuais, que substituirão um dos dois residentes quando estes forem cumprir outros compromissos agendados. Vermelho é residente do carioca Dama de Ferro e figura certa nas melhores festas de São Paulo e Rio. Luca Lauri acaba de lançar seu primeiro CD com o projeto NoPorn, pelo selo Segundo Mundo, em parceria com a cantora e DJ Liana Padilha.
 
>>> Baixe set de Márcio Vermelho
>>> Baixe set de Luca Lauri



Escrito por Ricardo Fotios às 09h19
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Cabal lança CD pela gravadora de Eminem

O MC-rapper paulistano Cabal lança hoje o álbum “PROva Cabal”, apoiado no hit “Senhorita”, lançado em 2005 pelo coletivo Motirô (DJ Hum, Lino Crizz e Cabal), que ganhou vários prêmios pelo trabalho e logo assinou com a multinacional EMI Music. Muito comparado a Eminem por ser branco, o rapper foi parar exatamente na gravadora do norte-americano, a Universal Music. E as semelhanças não terminam aí. Como Eminem, o rap de Cabal tem sotaque pop, que cai bem para todos os públicos e deve emplacar muitos clipes na MTV.

Bem relacionado com os rappers gringos, seu mixtape PROfissional (ProHipHop), de 2003, rodou o mundo e foi muito bem aceito pela comunidade internacional, já que agrega produções dos consagrados Pyroman, Assassin e Smoke Chamberlain, entre outros. Em 2004, Cabal foi eleito a revelação do rap brasileiro no Hutúz Festival, no Rio de Janeiro.

Este ano, com “PROva Cabal” (quem será que deu este título tão original?), o rapper deve repetir o sucesso de “Senhorita” nas rádios e se instalar definitivamente no primeiro time do gênero. A festa de lançamento do disco acontece hoje, no Mood Club (Rua Teodoro Sampaio, 1109), a partir das 23h.

>>> Ouça faixas de Cabal



Escrito por Ricardo Fotios às 07h48
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Baterista do Capital Inicial resgata Débora Blando em CD solo

capa de "Hotel Básico"Comentei no final do ano passado que Fê Lemos, baterista do Capital Inicial, lançou seu primeiro disco solo, uma produção eletrônica autoral do roqueiro, que passeia por tons sintéticos e ritmos variados, como rock, rap e dance. Naquele momento, não quis comentar sobre “Hotel Básico” porque não havia escutado nada. Agora, depois de ouvir o CD e algumas gravações ao vivo, posso dizer que o trabalho é bem honesto e tem pelo menos um mérito, o de resgatar a cantora Débora Blando.
 
As duas faixas das quais Débora participa com voz e co-autoria, “Nada por Esperar” e “O Desejo faz Dançar”, são o ponto alto de “Hotel Básico”. Profissional de alto quilate, Débora tem uma voz ótima e sabe escrever para o universo pop como poucas. Encarna uma espécie de Madonna tropical, cantando, dançando e fazendo moda. Embora tenha lançado mão de repertório de gosto duvidoso no passado, a moça pode ousar mais e ganhar outra chance na cena com essa idolatria aos anos 80.
 
Além de Débora, o disco de Lemos traz outras três cantoras: Ariela de Carvalho (“Gente que Passa” e “Impressão”), Silvana Kalzia (“Castelo de Cristal” e “Nem um Mar, Nem um puto”) e Talita, da banda Motores e nora de Rita Lee (“Descendo o Velho Chico”).
 
Nas duas faixas interpretadas pelo baterista, qualquer semelhança com o jeito de cantar de Dinho Ouro Preto não é mera coincidência. O que não é surpresa, dada a convivência de décadas dos caras. Até no rap “Nem um Mar, Nem um Puto” a interpretação de Lemos tem o estilão do vocalista do Capital Inicial.
 
“Hotel Básico” tem co-produção de Franco Junior, que deu alma eletrônica para o CD, experiência trazida de trabalhos anteriores com Mau Mau, M4J, Lunatics, Edson Cordeiro e Laura Finokiaro. Uma pena o site oficial de Fê Lemos não trazer trechos das músicas. Mas quem quiser saber mais sobre o disco pode assistir à entrevista no site Showlivre, conduzida pelo hilário e bem-sacado Clemente, dos Inocentes.

Escrito por Ricardo Fotios às 00h05
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Encontro anual

Reprodução da VejaO encerramento da SP Fashion Week aconteceu ontem com apresentação do top alemão DJ Hell. Todos os portadores de convites para os desfiles do dia tinham direito de participar da festa electro. No entanto, a habitual muvuca do evento deixou uma galera de fora, rolou empurra-empurra e as freqüentes “carteiradas”. Minha convicção é de que 10% do público queria entrar ali para ouvir o cara. Os outros 90% estavam mesmo na onda que movimenta o mundo fashion, ou seja, queriam ver e ser vistos.

Se você faz parte do reduzido grupo de paulistanos que ainda não ouviram um set de Hell ao vivo, a melhor opção mesmo é desembolsar R$ 40 e conferir as novidades do diretor da International Deejay Gigolos na D-Edge, no próximo sábado. O ambiente é mais propício e nem precisa pagar de modelo para desfilar na pista da casa. Só um aviso: não espere ver um cara parecido com o da foto ao lado, publicada pela revista Veja desta semana. O registro deve ter sido feito há uns 20 anos.



Escrito por Ricardo Fotios às 13h03
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Droga pesada

Neste verão, meu maior receio nessas idas e vindas ao litoral é encontrar um neo-funkeiro animado na vizinhança de onde vou me hospedar. Sempre que saio de São Paulo em direção a uma praia desejo, intimamente, não ter de aturar um vizinho ouvindo o atual lixo musical em alto e bom som na rua onde vou ficar. Até agora, tive sorte. Nada de carros estacionados na calçada com uma coletânea do DJ Marlboro no último volume. Só mesmo de passagem, nas avenidas, o que já é muito ruim.
 
Essa nova bobagem é pior que as anteriores. A harmonia irritante, repetitiva, desafinada dos axés (subproduto da MPB), pagodes (subproduto do samba) e sertanejos (subproduto de moda de viola) de outrora veio acompanhada de frases típicas de filmes pornográficos. O tal funk (subproduto de música eletrônica) desconsidera o argumento poético do duplo sentido e parte logo para o explícito, o que empobrece ainda mais o estilo, que tinha potencial para ser um bom produto popular não fosse o evidente apelo comercial.
 
Bonde do RoléPara ninguém me acusar de bairrismo e perseguição (além de conservadorismo que, no caso, aceito com orgulho), vou pegar uma novidade vinda do Paraná para exemplificar meu asco. O grupo é o Bonde do Rolé e a faixa de trabalho chama-se “Melo do Tabaco”. Lá pelas tantas, a letra traz a seguinte informação: "... o popo é do papai/ e nele ninguém toca/ dedo no cu é o caraio/ vem me comer que eu to gostosa..." Idiotices sexológicas como esta não são “mérito” do funk nem da música do Brasil.
 
Os “artistas” são e devem ser liberais em qualquer parte do mundo e devem ter o direito sagrado de produzir qualquer coisa. E o público, por sua vez, também tem o direito sagrado de ouvir o que bem quiser. Mas compartilhar escrotices em público e em volume impossível de ser ignorado deveria dar multa pesada, com o dinheiro arrecadado revertido em benefício de instituições que cuidam de dependentes de drogas.

Escrito por Ricardo Fotios às 20h25
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Muita opção me dá preguiça

A cena está tão animada que me dá preguiça. Confiro mais de uma vez as opções pela cidade, fico admirado de ver tantos nomes legais nos clubes e festas, gringos e nacionais, tops e alternativos, e acabo ficando em casa. Acho que é o efeito “muita informação” que está me obrigando a ficar em casa para não ter de optar.
 
Na sexta-feira queria ouvir o alemão Steve Bug no Lov.e. O cara é professor de vanguarda, sempre tem faixas novas na mala e está numa fase muito interessante, condensando house e techno com viagens minimalistas e ácidas. Acontece que no mesmo dia eu tinha um convite para o Samba Dub, no Afrospot, com o DJ Dudão Melo e o coletivo R.U.A. (algo me diz que este ano vai ter muito samba nas pistas). Fora isso, as tradicionais e divertidas noites nos clubes Vegas e D-Edge também prometiam. Fiquei na dúvida e optei por uma balada particular na casa da amiga.
 
O sábado não foi diferente. Aliás, muito mais movimentado. Tinha a top DJ Magda, tida como a rainha do minimal, na noite Mothership. A festa sempre boa Colors rolou no Afrospot.  Tinha ainda a Motronic Summer House, com o DJ Mimi, que é mestre. Mais uma vez fiquei na minha. O desejo era sair ouvindo um pouco de cada coisa, mas haja dinheiro e disposição.
 
E o futuro do verão paulistana está selado. Tem muito som legal pra ouvir nas próximas semanas. Vou priorizar o underground nacional e alguns gringos muito bons que estão na agenda. Mas vou ficar de olho mesmo na produção eletrônica brasileira, que parece estar se encontrando e criando algo além de cópias dos europeus. Tudo indica que o casamento do samba com o rock, que já foi moda por aqui em várias épocas, vai ganhar um “amante” eletrônico. Influência direta dessa boa fase com excelentes atrações internacionais nos clubes e festas, que me deixam tão em dúvida na hora de sair, mas que aplicam inspiração nas veias dos nossos produtores.

Escrito por Ricardo Fotios às 11h14
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Encontro de estrelas

Sempre hesito ao escrever um texto político, já que o tema deste blog é outro. Mas encontrei um precedente no site Eletronic Brasil, na coluna assinada por Felipe Boni. Embora aquele artigo analise especificamente a política nacional, me sinto mais confortável para fazer uma associação do momento brasileiro com o cenário pop/eletrônico esboçado para este ano.
 
Todo mundo já sabe que nossos palcos e clubes esperam estrelas internacionais do primeiro escalão, como U2, Madonna, Rolling Stones, Oasis, LCD Sound System, Deep Dish, Tiesto, Tiga etc. Os motivos que provocam esta verdadeira invasão de tops musicais passam, invariavelmente, por questões políticas.
 
Pelo menos dois grandes motivos trazem esses artistas ao país: o câmbio favorável e a popularidade internacional do Brasil. A questão do dólar estável e mais barato facilita empresários no pagamento dos cachês milionários. A política internacional do governo também orienta um megastar quando define sua turnê mundial. Soma-se a isso o charme que o presidente Lula exerce sobre os (agora) "politicamente-corretos", como Bono Vox e Madonna. Já os top DJs, alheios aos movimentos sociais e, na maioria das vezes, um tanto alienados, se beneficiam exclusivamente do câmbio e do oportunismo de empresários nacionais, que já vislumbram na cena eletrônica bons ganhos com bilheteria e bares.
 
De um modo ou de outro, pega bem tocar no Brasil neste momento. Mas as boas atrações internacionais estarão cercadas por uma barreira tipicamente brasileira: o custo do ingresso. O artista vem para o terceiro mundo e se apresenta para o público de Miami. Globalização da cultura é tocar para o mesmo público em qualquer lugar do mundo. Mas o Brasil tem uma vantagem para os astros e estrelas: além da grana, o pacote terceiro-mundista inclui foto com o presidente, que lá na terra deles também é popstar.

Escrito por Ricardo Fotios às 15h02
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CD reúne nata de produtores nacionais

Gastei boas horas das férias ouvindo o CD “Sunday Away” (URBR), mixado por George Actv. São 14 faixas que vão do house ao techno, naquele estilo característico do DJ, que inclui elementos eletrificados e minimalistas. As músicas são de produtores brasileiros e formam um excelente exemplo do que se tem feito no país.
 
O CD abre com faixas bem ao gosto da nova ordem minimalista, com faixas de 3Nity, André Juliani, Jac Júnior e o internacional Click Box. O house que acostumamos a ouvir nas madrugadas de Actv na D-Edge chega a partir da quinta faixa, “Get Down”, do inspiradíssimo Mimi. Daí pra frente é só rebolar ao som das daleciosas “PPaz” e “Soul Funk”.
 
A trilha começa a ficar forte com “Invisible Hands”, do projeto homônimo de Eraldo Palmero e Daniel U.M., seguida de “Untitled”, do gaúcho Philip Braunstein, “Biroska”, do DJ Garcia com remix de Murphy e Christian Fisher, “Feel This”, de Marcio Zanzi, e “Biroqua”, do sempre bom Snoop.
 
O projeto Neo Geo, uma parceria de George Actv com Jeremy Stray, também está presente no disco com as faixas “Loop” e “Lettin Go”, esta última com remix do top Mau Mau, fechando o CD com força.
 
>>> Ouça trechos de “Sunday Away”, mixado por George Actv

Escrito por Ricardo Fotios às 16h55
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