Geração DJ #11, com Saduh
De volta ao batente, convidei o DJ e produtor Saduh (aka Subsolo), do Rio de Janeiro, para reiniciar os trabalhos do blog. O cara preparou um set de pouco mais de uma hora com a nata do techno. Além de ser forte, o programa mostra exclusividades de figuras como Christian Wünsch, Makaton, Regis e Oscar Mulero. A inédita fica por conta do próprio mister Subsolo, que apresenta sua produção "Delirium 35". Se você, como eu, acha que anda tudo muito leve no mundo da música eletrônica, vai ficar surpreso com este set.
No papo, falamos de minimalismos, eixo Rio-SP e produções. A conversa foi gravada via "VoIP", o que resultou numa qualidade tosca no áudio do Saduh. Pensei até em suprimir a entrevista do programa por causa disso. Mas como o assunto me pareceu pertinente, resolvi não privar o interouvinte das opiniões do DJ. As opções de download e a relação completa das músicas do set você encontra na seção "podcast".
Críticas, sugestões e indicações de DJs para o programa podem ser enviadas para o e-mail geracaodj@uol.com.br
Escrito por Ricardo Fotios às 14h35
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DJs brasileiros salvam Skol Beats
Estive em todas as edições do festival Skol Beats e considero esta última, realizada no sábado, a mais chatinha de todas. Mais para Carnaval no circuito Barra-Ondina, em Salvador, só faltou o cordão de isolamento entre brancos e pretos na festança da elite pop-alternativa. Tumulto, superlotação, cheiro de urina e problemas de som estavam presentes. Só mesmo alguns DJs nacionais para salvar o evento, que ficou num desconfortável meio termo entre o profissional e o amador.
Não cheguei nem perto da principal atração da noite, o Prodigy. Por gosto pessoal, me dividia entre o Live Stage e a tenda The End. No primeiro, acompanhei boa parte da apresentação do LCD Sound System, que foi boa. Na segunda, gostei da seleção do popstar Tiga. Após a apresentação ao vivo de James Murphy e companhia, arrisquei uma passada na segunda para conferir Timo Maas antes de voltar para ver a banda eletrônica de Liam Howlett. Impossível. Em clima de arrastão, quem estava fora da arena não conseguia entrar, e quem estava dentro não conseguia sair. Pelo celular, amigos que estavam no Live Stage aconselharam que eu desencanasse de participar da “almôndega” involuntária para ouvir o Prodigy. Acatei.
Permaneci na tenda de techno e afins para verificar duas das minhas principais apostas: Svën Vath e Mistress Bárbara. Decepcionante. Não que tenha sido péssimo, mas a invasão minimalista meio que comprime todas as sonoridades e fica aquele padrão, aquela mesmice em BPM baixa. O som alto da tenda DJ Marky & Friends, que ficava bem ao lado da The End, aproveitava os silêncios dos DJs de “pós-techno” para invadir a pista. Lá no fundo da tenda, as duas sonoridades se confundiam.
Entre uma apresentação e outra, corria para aquela ida básica ao banheiro e mais estresse. Filas imensas obrigavam os rapazes (e até algumas meninas) a escolherem pontos alternativos para urinar. Resultado: odor desagradável no ar e lama nojenta no caminho até o sanitário químico. Eca!
Mesmo sem grandes novidades, a parte musical da festa só começou a mostrar efeito com a entrada de Renato Cohen no Live Stage. O cara fez uma apresentação redonda e competente, seguido pela mesma eficiência de Mau Mau e Anderson Noise. Não estive nas tendas de drum’n’bass e de psy, mas amigos deste blog também avaliaram positivamente as apresentações dos brasileiros Marky e Patife, na primeira, e “Wrecked Machines”, na segunda. Por incrível que possa parecer, o festival com um line-up internacional daqueles foi salvo do fisco completo por DJs brasileiros.
Escrito por Ricardo Fotios às 14h03
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Skol Beats testa nas ruas campanha dos botões
Antes de levar ao ar os filmes publicitários do Skol Beats 2006, a F/Nazca, agência responsável pela conta do festival, fez testes com a criação nas ruas de São Paulo, usando atores fantasiados de botões de mesa de som, tal como aparecem na TV. O experimento, realizado em parceria com a empresa Live, foi feito uma semana antes do comercial entrar nas emissoras e tem registro em vídeo, que pode ser visto em www.invasaobeat.com.br. Para Lucas Mello, responsável pelo planejamento e criação da Live, a iniciativa é inusitada, já que sai dos padrões da publicidade tradicional. “Não trabalhamos com formatos como TV, rádio, jornais, revistas etc. Criamos nossos próprios padrões a cada projeto”, explica. O resultado mais, digamos, profissional do experimento todo mundo já deve ter visto na televisão. O clipe tem a trilha “I Like to Move it”, música composta e eternizada pelo comediante inglês Sacha Baron Cohen na animação infantil “Madagascar”, em 2005. Comportado, o filme mostra os botões gigantes dançando em paisagens urbanas, relacionado diretamente com o evento anunciado, como era de se esperar. Já nas versões do projeto da Live, o trio de botões dança menos e tem mais atividades cotidianas, como malhar na academia, fazer compras, pegar ônibus etc, além de interagir com as pessoas nas ruas. Os vídeos com as travessuras dos botões não têm qualidade de TV, mas são mais divertidos que o resultado “acabado” do projeto. >>> Assista ao filme publicitário do Skol Beats 2006 >>> Assista aos vídeos com o experimento dos botões >>> Site oficial do Skol Beats 2006
Escrito por Ricardo Fotios às 20h08
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Profissionais e amadores
Além de várias aulas de nomenclaturas técnicas de plugues, o último texto do
blog rendeu uma discussão conceitual por e-mail. Pelo menos três leitores
escreveram questionando uma suposta redundância na expressão “podcaster amador”,
que utilizei para denominar gente que, como eu, produz arquivos caseiros de
áudio ou vídeo para distribuir via internet, de forma
independente. A justificava dos que defendem a tese da redundância
é que o termo “podcast” já sugere produção amadora. “Se você edita um programa
em estúdio, com locutores, produção e todos os requintes profissionais, não é um
podcaster. É um radialista, no caso de áudio, ou um produtor de vídeo, no caso
de imagens”, argumentou Anadeto S. “Mesmo que este programa seja distribuído
pelo que se convenciona chamar de podcasting”, continua, “a origem do termo não
justifica sua utilização para o tipo de produtor, que só é válida para amadores,
ou melhor ainda, não-profissionais”, conclui. Vou utilizar o
argumento do leitor do Rio de Janeiro para resumir as explicações dos demais
contrários ao termo que empreguei. Inicio logo a defesa da expressão, mas não
antes de um breve relato histórico. O termo podcasting surgiu em 2004 com a
união das palavras “iPod” e “broadcasting”. O primeiro é o nome de um famoso
tocador de mp3 portátil, e o segundo é literalmente “transmissão” em inglês.
“Pod” quer dizer coleção, reunião. Com a popularização do formato digital e dos
players para estas coleções de mp3 surgiu o podcasting, ou seja, transmissão em
rede de arquivos digitais. Mais que simplesmente música, passavam a transmitir
pela Web programas com falas, informações, jornalismo etc. Inicialmente, e como
é de se esperar numa mídia nova e sem precedentes como é a internet, esses
programas eram toscos na qualidade técnica. Primeiro, ninguém sabia ao certo o
que era para ser feito, se era para imitar o rádio e a TV, se era para criar uma
nova linguagem. Segundo, e mais importante, porque a ferramenta colocava diante
do cidadão comum o poder de repercutir suas opiniões, gostos e idéias. A frase
“uma câmera não mão, uma idéia na cabeça” lhe diz alguma
coisa? Dito isto, e já voltando aos tempos atuais, o podcast
torna-se um poderoso veículo de disseminação de programas áudio-visuais,
subvertendo a lógica estabelecida da comunicação de massa, em que há donos de
empresas que distribuem informações e idéias de alguém (geralmente, o empresário
e o profissional estão de acordo quanto às idéias transmitidas). O podcasting é
hoje uma rede independente que leva a cabo a ideologia da liberdade de
expressão, reunindo profissionais altamente qualificados, vindos ou não das
mídias tradicionais, e com recursos de produção tão avançados quanto os do
establishment. No entanto, há ainda os não-profissionais, como prefere Anadeto,
no meio desta rede que, mesmo sem conhecimentos técnicos ou vocação para
radialista, usam o podcasting para liberar seu próprio verbo, mantendo a
qualidade (ou a falta dela) dos tempos originais. Assim, o
território livre e organizado dos podcasters está dividido entre profissionais,
como Maestro
Billy e Marcelo Tas, e
amadores, como eu. Não vejo, portanto,
nenhuma redundância ao qualificar um podcaster de amador. É uma informação
importante como apresentar um músico como autodidata. O que me interessa deixar
claro aqui é que o sentido do podcasting está, hoje, mais ligado a uma liberdade
conceitual de profissionais, não-profissionais e espectadores. Uma relação em
que um lado diz o que julga necessário e o outro ouve o que acredita ser
relevante, com completo controle de tempo e espaço.
Escrito por Ricardo Fotios às 20h21
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Novo cabo de áudio tem conexão USB
Um dos meus pesadelos mais freqüentes na hora de digitalizar sons concebidos analogicamente parece estar chegando ao fim. Quando passo uma música do gravador portátil, por exemplo, para o notebook, o resultado nunca é satisfatório, pois chiados inexistentes no original insistem em tomar conta do arquivo em MP3. Isso ocorre por causa de vários fatores, seja por problemas com cabos, impedâncias incompatíveis ou simplesmente por ignorância deste operador na hora de fazer as conexões, já que não tenho uma placa de áudio avançada e uso a entrada do microfone para copiar o som.
Para minha alegria e de muitos outros "podcasters" amadores, acabo de saber que uma empresa norte-americana desenvolveu um cabo que liga qualquer equipamento na porta USB do micro, sem a necessidade de adaptadores, cartões, drivers ou softwares. O Lightsnake, da SoundTech, funciona com um plugue banana de ¼ numa das pontas e um USB na outra. Dá para ligar guitarra, violão, teclado, mixer, meu gravador K-7 e qualquer outra parafernália sem instalar nada no micro, já que tem o sistema “plug-n-play” para Windows e Mac. A “cobra luminosa” traz embutido um conversor de sinal análogo 16 Bit para sons digitais, o que garante a alta qualidade da gravação, segundo os fabricantes. Além disso é inteligente: o acessório (que é um equipamento) é dotado de um redutor de ruídos e de luzes (leds) que acendem nas extremidades quando algum sinal está sendo transmitido. Daí o nome do produto. O Lightsnake começa a ser vendido a partir de 15 de maio por US$ 70 nos Estados Unidos (cerca de R$ 140, sem impostos). O kit vem com adaptares de banana 1/4 para mini banana (plugue de diskman) e para banana fêmea. O site do fabricante traz mais informações.
PS: Por considerar relevante, torno pública a informação do leitor Carlos Mazzocato, que dá nome aos bois, no caso, aos plugues que chamei acima de "banana" e "mini banana". Os nomes comerciais são P10 e P2, respectivamente. Há quase 30 anos compro cabos chamando pelos apelidos e sempre volto para casa com os plugs corretos. Mas prometo nunca mais dar nome de fruta a coisa séria. Blog é bom por isso, a gente constrói a reportagem coletivamente. Aliás, tem um outro comentário sobre este post que recebi por e-mail, mas vou falar dele num outro texto, já que o assunto merece um pouco mais de reflexão. Trata-se da suposta redundância na expressão "podcaster amador" que utilizei acima. Até lá, então.
Escrito por Ricardo Fotios às 21h30
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