Se, por um lado, a apresentação do Daft Punk no Rio foi primorosa, por outro, a locação de São Paulo comprometeu e muito o ponto forte do show, que é sua parte visual. Numa casa de shows em que não foi respeitada a lotação máxima, o que se presenciou foi quase uma versão pocket do amplo cenário que emoldura a apresentação da dupla francesa.
O palco do Tom Brasil era até apropriado para o show das primeiras atrações do evento em São Paulo, os recifenses do Mombojó, os ragga-mans do Thievery Corporation e os roqueiros TV on the radio e Yeah Yeah Yeahs. Porém, achatada do jeito que foi, a pirâmide da atração principal da noite não parecia nem sombra do que realmente é, uma forma geométrica em simetria com todos os recursos de luz projetados sobre ela.
Sem falar no verdadeiro corredor polonês formado na única entrada da casa, pelo fundo da platéia à direita, fazendo com que as pessoas lotassem logo a entrada e se movimentassem com extrema dificuldade até o canto esquerdo do palco. Se houvesse necessidade de evacuar o local com rapidez, não seria possível. Como a capacidade do local não foi respeitada, não havia como o sistema de ventilação e ar-condicionado dar vazão para tanta gente, e em todas apresentações flutuava sobre a platéia uma nuvem de suor misturada com fumaça de cigarro. Alô, Contru (Departamento do Controle do Uso de Imóveis), isso pode?
Se o festival no Rio foi muito bem dimensionado, em que optaram por eliminar a área de estacionamento existente na Marina da Glória para a montagem de todos os palcos ao redor de uma ampla e arejada praça livre entre eles, em São Paulo a platéia foi brindada com uma sucessão de erros. Primeiro por terem decidido alterar o lugar em cima da hora, levantando suspeitas sobre o processo de liberação do evento junto à Prefeitura, uma situação cada vez mais comum na cidade. Segundo por não terem levado em consideração que o show mais esperado não caberia naquela boca de palco e também não terem limitado a venda de ingressos. O resultado foi que o mesmo show, na essência, não teve a mesma vibração. Ridículo!
Hard techno de Pet Duo agrega sonoridades ao TIM no Rio
Foi impressionante. O que falaram que não ia combinar de jeito nenhum, caiu como uma luva na proposta do festival, que, desde que deixou de ser só jazz, pretende manter as cabeças dos espectadores abertas para novas e diferentes sonoridades. Na sexta-feira, o dj Shantel e sua rave cigana, com influências sonoras dos Balcãs, atraiu um número pequeno de ouvintes e no sábado Pet Duo sucedeu, de forma visceral e sem concessões, à apresentação electro de Booka Shade na tenda Motomix. Agregaram, e muito, ao espaço que foi montado de forma que qualquer pessoa que entrasse ou saísse do festival desse uma conferida na atração eletrônica da noite. Nos outros anos, a produção abria espaço para os djs no palco gigantesco dos shows principais, que sempre terminava vazio e frio demais. Decisão acertada ambientar a música eletrônica na passagem para os palcos, com telões e leds multicoloridos, deixou o espaço sempre cheio e animado (fotos). Como uma boa festa, né?
Então a animação começou com a dupla de Berlin, que exigiu que a produção montasse um pequeno palco no meio do corredor, para que pudesse apresentar seu live mais próximo do público. Composto por bateria eletrônica e mesa de som, o Booka Shade estampava em camiseta a frase "we came to dance" (viemos para dançar) e foi exatamente o que eles e o público fizeram durante uma hora de show. Um luxo ouvir "Mandarine Girl" e "Body Language" ao vivo.
Quando os Pets subiram na cabine, para muitos houve quebra da linha melódica anterior. Mas ainda bem que música é isso mesmo, um mar quase infinito de possibilidades. E não é que, muita gente que nunca deve ter ouvido falar neles requebrou com o set mais grooveado que já os vi tocarem. Teve espaço até para remix de "Groove is in the heart" e "Fever". A 150 bpms (batidas por minuto), fique bem claro.
A edição carioca do Tim
Festival não poderia ter começado em melhor estilo. Daft Punk confirmou
porque era um dos shows mais esperados do ano, colocando o Brasil na rota de sua
turnê, que começou no festival de Coachella, na Califórnia (EUA) e já havia
passado por países como o Japão, França, Irlanda, Bélgica e Espanha.
Parecia pouco escalar a dupla como atração única do palco principal, no
primeiro dia do evento, que tradicionalmente apresenta de duas a três atrações
por palco, desde os tempos em que era mais "jazzy". No entanto, quem presenciou
a decolagem daquela "nave espacial" montada no palco – quase seis toneladas de
equipamentos -, não teve dúvidas que nada mais era preciso para encher (e como!)
de música e sorrisos aquele ambiente.
Da introdução com acordes de "Contatos imediatos do terceiro grau" até o
encerramento apoteótico de "Human after all", efeitos seqüenciados de cores,
luzes e projeções acompanharam cada faixa tocada e elevaram o show à categoria
de espetáculo sensorial. Uma verdadeira viagem lisérgica, com a vantagem de não
precisar consumir qualquer substância ilegal. A estrutura impressionante do
palco envolvia uma parede de leds luminosos ao fundo, uma cortina em formato de
colméia nas laterais e a pirâmide central onde os dois músicos, escondidos por
capacetes, sincronizavam as músicas com os efeitos visuais.
Não foi um show apenas contemplativo. O apelo visual, misturado a batidas
fortes e freqüência bem baixa, mexeu bastante com a platéia, que vibrou com os
hits "One More Time" e "Da Funk". Em uma hora e meia de show, praticamente todas
as canções dos três discos foram emendadas uma nas outras, algumas em longos
mixes ("Television rules the nation" com "Around the World", "Harder Faster
Better Stronger" com "Face to Face"), outras em pequenos e marcantes trechos
(caso de "Rollin´ and Scratchin´" e "Too long").
Em meio a tanta parafernália tecnológica e ritmos repetitivos, o bom gosto e
a coerência musical dos caras imperaram. Porque, como concluíram ao final do
show projetando retratos de pessoas de várias raças, credos e cores na base da
pirâmide, são humanos, apesar de tudo (e de não tirarem os capacetes).
Não há como negar que, na ponta do lápis, pagar R$ 180 (o equivalente a 80
dólares ou 50% do salário mínimo vigente no país) de entrada para ver um show, é
um disparate. Mas a todos que me perguntam se a apresentação do Daft Punk vale
este preço, eu diria que a simples inclusão do Brasil na rota da turnê atual
deles, que praticamente não excursionam nem fazem muitos shows mundo afora, é
digno de nota. Ainda mais para quem é fã, tem discos e não consegue ficar parado
quando escuta Rollin´& Scratchin´, mesmo uma década depois de seu
lançamento.
Para mim, a mera visão da pirâmide
que servirá de cenário no palco, onde os produtores franceses aparecem
vestidos de robô, já causa arrepios. Se você considerou algum dia viajar para
conseguir ver de perto esses caras, achará o preço brasileiro mais barato que
qualquer deslocamento para fora do país. E se você já pagou por qualquer música
produzida por eles, saberá que, em nenhum disco será possível ouvir os remixes
que eles apresentam neste show. Ah, mas responderiam que hoje em dia dá pra
baixar o áudio do show (e qualquer coisa, inclusive) de graça na internet,
né? Mesmo que seja lançado depois em DVD, ver este show ao vivo tem
tudo para ser incomparável.
Mas o real valor do show, assim como o gosto e as escolhas pessoais, deixo a
cargo de cada um. Porque cada um qualifica de maneira diferente o quanto vale
algo para sua realização pessoal. Tem gente que é louco por carros, não deixa de
ir a nenhuma competição esportiva ou perde a cabeça quando entra num shopping.
Esse show certamente me fez perder a razão, momentaneamente.
Ainda com dúvidas se vai ser bom? Veja 60 minutos do show do Daft Punk
no festival de Coachella (EUA), gravados por um vídeo amador na platéia
>>>
Algumas festas devem garantir diversão noite (e dia) adentro para quem
vai aos shows da edição carioca do TIM Festival, que começa nesta sexta-feira e vai até
domingo. Enquanto Maurício Lopes comanda o after no Fosfobox na
madrugada de sexta para sábado, a festa Moo recebe uma seleção de DJs de house e minimal, entre
eles Gustavo Tatá, RM2 e Gui Boratto, em apresentação ao vivo.
Já o Dama de Ferro
promete uma programação recheada para todo o final de semana: sexta, os djs
de electro Serge, Renato Bastos e Breno Ung dividem as picapes na Fashion
Nugget; sábado, a Neue terá os djs Atum e Spavieri, seguidos de mais after com
Maurício Lopes; e no domingo, a Fuck the Beach escalou uma seleção de respeito
(Nepal, Ricardinho NS, Aníbal e Ivan LP, entre outros), para tirar os cariocas e
turistas da praia a partir das 14hs.
Uma alternativa, digamos, para o público GLBT, é encarar a ferveção de
Halloween programada para as noites de sexta e sábado no Cine Ideal, com os djs
de tribal Fábio Mesquita, Robson Araújo, Fernando Braga e Ana Paula.
E os roqueiros também tem vez! Sexta, o Casarão Cultural dos
Arcos apresenta a festa à fantasia RendezVous com os djs Bubba e Fabrizio, e
no sábado, acontece na Casa da Matriz a já tradicional Paradiso, com os djs Edinho
e Tito.
Confira mais programação noturna no Rio de Janeiro, no
endereço>>>
Boa nova para quem achava que ia encarar uma garoa na noite do TIM Festival em São Paulo. Os shows de Daft Punk, Yeah Yeah Yeahs, TV on the Radio, Thievery Corporation e Mombojó foram transferidos do famigerado espaço ao ar livre do Anhembi para o Tom Brasil em Santo Amaro. Dia e horário continuam os mesmos: 29 de outubro, a partir das 18hs.
A empresa que organiza o evento alega que a cenografia da atração principal, o Daft Punk, é sensível à chuva, e por isso, foi realizada a mudança. Mas, convenhamos, um lugar fechado para 5 mil pessoas está mais de acordo com o preço cobrado pela entrada, que varia de R$ 90 (meia-entrada na pista) a R$ 300 (inteira no camarote).
Veja abaixo o line-up completo do Tim Festival 2006:
RIO - MARINA DA GLÓRIA SEXTA (27.10) 20h - TIM CLUB - Ivan Lins, Jennifer Sanon e Maria Schneider 22h30 - TIM LAB - Céu, Amadou & Marian e Devendra Banhart 23h - TIM STAGE - Daft Punk 1h - TIM VILLAGE - DJ Shantel e Maurício Valladares
SÁBADO (28.10) 20h - TIM CLUB - André Mehmari Trio, Roy Hargrove e Charlie Haden 22h30 - TIM LAB - Bonde do Rolê, TV on the Radio e Thievery Corporation 23h - TIM STAGE - Mombojó, Patti Smith e Yeah, Yeah, Yeahs 1h - TIM VILLAGE - Booka Shade e Pet Duo
DOMINGO (29.10) 20h - TIM CLUB - Stefano Bollani, Ahmad Jamal e Herbie Hancock 22h30 - TIM LAB - Marcelo Birck, The Bad Plus e Black Dice 23h - TIM STAGE - Instituto, DJ Shadow e Beastie Boys 1h - TIM VILLAGE - DJ Jason Forrest e Camilo Rocha
SP - TOM BRASIL NAÇÕES UNIDAS DOMINGO (29.10) 18h - Mombojó, TV on the Radio, Thievery Corporation, Yeah, Yeah, Yeahs e Daft Punk
SP - AUDITÓRIO IBIRAPUERA SEXTA (27.10) 20h30 - Stefano Bollani, Ahmad Jamal e Herbie Hancock
SÁBADO (28.10) 20h30 - Ivan Lins, Jennifer Sanon e Maria Schneider
DOMINGO (29.10) 20h30 - André Mehmari Trio, Roy Hargrove e Charlie Haden
VITÓRIA - TEATRO UNIVERSITÁRIO DA UFES SEXTA (27.10) 20h30 - Roy Hargrove, Bebel Gilberto e Orquestra Imperial
SÁBADO (28.10) 20h30 - Yamandu Costa e Herbie Hancock
DOMINGO (29.10) 20h30 - Amadou & Marian e Devendra Banhart
CURITIBA - PEDREIRA PAULO LEMINSKI TERÇA (31.10) 18h - Nação Zumbi, DJ Shadow, Patti Smith, Yeah, Yeah, Yeahs e Beastie Boys
Amanhã, dia 21 de outubro, enquanto estiver rolando o I Love Techno na cidade de Gent, na Bélgica, amantes do techno de todo mundo poderão acompanhar o evento ao vivo pela internet. O festival, um dos maiores de música eletrônica da Europa, está em sua 11a edição e terá esse ano a antológica apresentação do grupo Kraftwerk e um time estrelar de djs, entre eles, Laurent Garnier, Carl Craig, Dave Clarke, Tiga, Miss Djax e Pet Duo. A transmissão deve começar no sábado por volta das 19:00 de Brasília. E não tem problema se você perder a hora! Os vídeos e sets gravados continuarão disponíveis no site do festival, até a próxima festa!
– que começa hoje em São Paulo – prevê a exibição de 360 filmes, entre eles alguns títulos, majoritariamente documentários, para ouvintes interessados.
Tem documentário sobre a vida e obra de músicos (Fabricando Tom Zé, Cartola e Noel
– Poeta da Vila), registro de bastidores e turnês de bandas (Leonard Cohen: I´m your man, O livro multicolorido de Karnak e Nossa! Eu filmei isso, sobre os Beastie Boys), retrato sobre a música erudita em países latino-americanos (O último bandoneón, da Argentina e Tocar e lutar, da Venezuela) e até como um músico pode se transformar numa ameaça para uma nação (Os EUA contra John Lennon, sobre o processo enfrentado pelo Beatle, durante o governo Nixon, por seu discurso contra guerra).
Curioso parece ser o panorama da cena eletrônica de Cuba documentado em Dancefloor Caballeros. Este road movie acompanha um grupo de djs de techno em excursão por vilarejos onde nunca se ouviram batidas eletrônicas antes. E eu que nunca imaginei que o estilo tivesse vez na ilha...
Completam a seleção as peças de ficção The Horrible Flowers, sobre uma banda de rock de Mineapollis em busca do estrelato e Electroma, a odisséia concebida por Thomas Bangalter e Guy-Manuel De Homem-Cristo, a dupla que compõe o Daft Punk e se apresenta vestida de robô. Na película, que tem uma trilha sonora bem intimista e nenhuma música dos produtores, seus personagens buscam a humanização. Ah, a Mostra promete a presença da dupla numa das sessões do filme, dia 28 de outubro. Será que irão "habilées"?
E dentro da programação complementar da Mostra Internacional de Cinema, acontece amanhã, dia 21 de outubro, às 16hs, o debate "A música vista pelo cinema", no Shopping Frei Caneca. O encontro, aberto ao público, contará com a presença dos diretores Douglas Crawford (Punks Are Alright), Eric Tretbar (The Horrible Flowers) e Rose La Creta (Nzinga) e será mediado por Christian Peterman (da Folha de S. Paulo).
Após uma bem-sucedida turnê pela Europa, onde se apresentou em clubes e festivais na Alemanha, Bélgica, Espanha, Eslováquia, França e Portugal, agora é a vez da China ouvir o vigoroso set de techno da carioca Kammy (foto). A djéia vai se apresentar dias 19, 20 e 21 de outubro em três clubes chineses, incluindo o Mink Bar de Hong Kong.
Uma mulher, que não tem olhos puxados e toca um estilo tão underground e (por que não?) subversivo, ajuda na quebra de paradigmas do mais populoso país do mundo e ainda cerceado pelo governo. O Estado Chinês continua exercendo rígido controle sobre a divulgação de informação e da cultura ocidental, restringindo inclusive o acesso de notícias na internet. Os Rolling Stones foram proibidos de tocar algumas composições de conteúdo mais explícito, como Honky Tonk Woman, no primeiro show que realizaram no país, em Shanghai, no início deste ano. Let the music play!
Em tempos de mp3 players e queda na venda de CDs, as gravadoras brasileiras tentam encontrar em velhas fórmulas saídas para atrair novos consumidores. Por exemplo, lançando coletâneas cada vez mais caprichadas de artistas e grupos que estão com passagem marcada para o Brasil. É o caso de dois lançamentos recentes: o "Singles" do New Order e o "Musique Vol.1 (1993-2005)" do Daft Punk.
Para quem já possui algum material do New Order, principalmente coletâneas lançadas no passado, como "Substance" e "The best of", o "Singles" traz como novidade canções das duas últimas obras do grupo de Manchester ("Waiting for the sirens calls", de 2005 e "Get Ready", de 2001). O resto é repeteco. No entanto, por ser um CD duplo com 32 faixas, talvez interesse aos fãs que querem ter um apanhado com sucessos de várias fases do grupo. Até porque, "Substance" (de 1987) - que considero ser a melhor coletânea de singles do grupo - não está mais à venda no mercado brasileiro.
O mesmo acontece no "novo" material do Daft Punk, que tem o diferencial de oferecer uma versão multimídia (CD + DVD), com videoclipes e uma gravação ao vivo de Rollin´& Scratchin´. A coletânea abre com Musique, um lado B pouco conhecido que dá nome à compilação e segue com 11 faixas bem óbvias de três álbuns do duo francês ("Homework", "Discovery" e "Human After All"). O repertório inclui ainda remixes inéditos da dupla para músicas de Ian Pooley, Scott Grooves e Gabrielle. Funciona para quem não conhece muito a obra de Thomas Bangalter & Guy-Manuel De Homem-Cristo, e quer provar um menu-degustação desse expoente do french-touch - como foi chamado o boom de produtores de música eletrônica de origem francesa, no final dos anos 90. Para apreciar um prato completo deles, ainda acho o primeiro álbum imbatível.
Ou um show ao vivo dos caras, que logo logo estarão por aqui. Anote as datas:
Daft Punk @ TIM Festival
Dia 27 de outubro na Marina da Glória (Rio de Janeiro)
Dia 29 de outubro no Tom Brasil (São Paulo)
New Order
Dia 10 de novembro no Ginásio Nilson Nelson (Brasília)
Dia 11 de novembro no Estádio Mineirão (Belo Horizonte)
Dias 13 e 14 de novembro no Via Funchal (São Paulo)
Essa os hardtechnoheads brasileiros iam adorar: juntar numa mesma noite 22 dos mais representativos djs do gênero para celebrar o aniversário de um deles. Pois é o que vai acontecer na B-day Party de Frank Kvitta, nesta sexta, dia 13
– só que lá na Alemanha, no clube U63011 de Frankfurt (fotos)...
Além do próprio aniversariante, constam do line-up da sugestiva pista "Banging & Hardtech": Pet Duo, Marcus Remus, DJ Bold, DJ Agent, Misa Salacova, Sven Wittekind, ViperXXL, Arkus P., Robert Natus, Kaoz, Brachiale Musikgestalter, Mario Ranieri, Leo Laker, Torsten Kanzler, Quick & Smart, DJ Mahatma, DJ Minupren, Ben Santo, Holgi Star, Patrick DSP e Daniel Gloomy. Como a noite não dura 22 horas, imagino que cada um fará uma participação especial, transformando a festa numa mega-jam session. Haja pescoço!
A boa nova é que parece que ele vem em breve ao Brasil! Chris Liebing (foto)
– que há sete anos mantém residência no clube U60311 e passou por aqui pela última vez no Skol Beats de 2005 – está com agenda marcada para três apresentações, duas em São Paulo e uma no Rio de Janeiro, no começo de dezembro. Será que vem para inaugurar um clube novo?
Música eletrônica, Guaraná Power e uma seleção de curtas eróticos do Mix
Brasil animaram a noite de sexta-feira do Clube Vegas, ali na zona vermelha da
Rua Augusta. A combinação de elementos fez jus ao nome da festa, e causou um
"Botafogo" no local. Enquanto na pista de baixo do clube o dj Ulisses Lima (foto) esquentou a
pista ao longo da noite, intercalando faixas de minimal, electro e techhouse, a
pista de cima exibia num telão vídeos pra lá de calientes, selecionados pelo dj
(e curador do Festival
Mix Brasil), André Fischer.
Tudo regado a muitas latinhas de Guaraná Power, distribuídas aos
freqüentadores da noite. A bebida causou polêmica ao ser proibida de participar
da Bienal de São Paulo, onde faria parte de uma obra-manifesto do SuperFlex, grupo que questiona o monopólio
na produção de refrigerantes feitos a base de sementes de guaraná. E não é que o
"verdadeiro guaraná" tem sabor mais intenso e efeito mais energético que os
similares industrializados?
Um dos núcleos de festas mais queridos do Brasil, a Circuito completa 5 anos e arma uma edição especial neste final de semana, no parque aquático Magic City, a 70 Km de São Paulo. Será o 54ª evento realizado pelo núcleo, que além de DJs e produtores de techno e vertentes (hardtechno, electro, guettotechno e electrobreaks), tem trazido ao país várias bandas de rock, como Supergrass, Cardigans e Sisters of Mercy.
Dessa vez, as atrações principais são os eslovenos Umek & Valentino (foto), que se apresentaram pela primeira vez no Brasil em 2002, na Circuito realizada juntamente com a SP Groove, na inesquecível Fazenda Arujabel. Os gringos prometem 5 horas de set e, segundo fonte que esteve na apresentação deles semana passada no Rio, um som menos pesado que das outras vezes.
Quer ver um trechinho da última vez em que os dois tocaram juntos na Circuito (em fevereiro de 2004)?
Com a temática "Como Viver Junto", a 27ª Bienal começa neste sábado, dia 7 de outubro, e ocupa o Parque do Ibirapuera até 17 de dezembro.
Na Bienal de 2004, lembro que a parede de caixas de som de Santiago Serra e o bosque artificial do coletivo carioca Chelpa Ferra (fotos) apresentaram soluções plásticas para um som específico. Na primeira obra, o som de tiros se sobressaia aos fogos de artifício nas comemorações de uma passagem de ano no México, e na segunda, galhos e frutos secos do bosque vibravam quando acionados pelos visitantes da mostra.
Há séculos a cultura africana se manifesta em rituais de dança, cânticos e batuques que levam ao transe. Mas o que dizer da música experimental eletrônica (!) do Konono no1, grupo criado há 25 anos em Kinshasa, capital do Congo? A banda tem 12 integrantes – entre músicos, cantores e dançarinos – e toca música ritual tradicional com instrumentos eletrificados bem peculiares, confeccionados com peças de ferro-velho, partes de carros e panelas.
Mingiedi (foto), o líder do grupo, construiu os equipamentos para que o som do likembe - uma espécie de piano de dedo típico, com teclas de metal presas a uma cabaça de madeira - pudesse ser ouvido, no meio da balbúrdia das ruas de Kinshasa. Velhas baterias de carro, megafones e auto-falantes abandonados pelo regime colonial acoplados a três likembes (baixo, médio e agudo - detalhe na foto) geram um som extremamente distorcido, primitivo, repetitivo e parente nada distante dos experimentalismos do Aphex Twin. O amplificador caseiro deu resultado: o som da banda saiu do Congo direto para festivais de música ao redor do mundo, acompanhado do lançamento de um álbum, pelo selo Crammed.
O Konono no1 já esteve por essas bandas em 2005, se apresentando no PercPan, festival internacional de percussão, e volta esse ano para a festa de encerramento da 27ª Bienal de São Paulo, em dezembro. A conferir.
Os DJs Marcelo Schild e Maurício Lopes, que produziram juntos o hit Partycrasher (foto) - lançado pelo selo alemão Muller Records - participam do espetáculo "Super Night Shot", do grupo Gob Squad, montado pela primeira vez no Brasil.
O Gob Squad é uma cia de teatro formada por artistas ingleses e alemães que trabalha com "live art" em locais públicos, misturando performance, teatro, instalações, novas mídias e reality show. A cia selecionou artistas brasileiros para participarem da montagem, que estréia hoje em São Paulo, e depois segue para o Rio de Janeiro, onde acontece dentro da programação do Festival riocenacontemporânea.
Em "Super Night Shot", as ruas da cidade se transformam num set de filmagem, onde quatro atores, munidos de câmeras portáteis, tentarão cumprir uma série de missões fantásticas. As filmagens acontecem uma hora antes do público chegar para assistir – sem tempo de cortes ou edição – e o resultado é apresentado no teatro em quatro telas, simultaneamente. Cabe aos DJs a edição do som da performance, que a cada noite promete ser diferente.
A mais nova música produzida pelos Chemical Brothers evoca uma obra de arte. Os "Irmãos Químicos" produziram uma faixa original para a obra Torso in Metal from "The Rock Drill" (foto), escultura em metal do artista Jacob Epstein, que faz parte do acervo do museu londrino Tate Modern. A obra de Epstein, realizada no início do século passado, representava o poderio da maquinaria pós-revolução industrial. Após a Primeira Guerra Mundial, o Torso foi reduzido e transformado pelo artista em uma escultura menos ameaçadora e mais vulnerável diante da violência nos tempos modernos.
A faixa dos Chemical Brothers inaugura o Tate Tracks, projeto que convidou oito músicos/grupos ingleses para compor trilhas inspiradas em fotos, quadros e esculturas de artistas consagrados, em exposição no museu, como Man Ray, Andy Warhol e Anish Kapoor. A cada mês, até maio de 2007, uma nova música será apresentada "in loco", em fones de ouvido ao lado da obra, e incluída posteriormente no site do Tate Tracks. Como a trilha é melhor apreciada visualizando a obra que lhe serviu de inspiração, no site há um giro virtual por cada peça, com zoom e imagens em 360º.