A agressão que o dj Sasha sofreu há pouco tempo - quando um espectador atirou um copo de vidro contra sua cabeça num clube de Newcastle- me fez pensar se, algum dia, os ânimos na pista vão se alterar a ponto de colocarem em prática a infame música dos Smiths, "Panic": "Queimem a discoteca, enforquem o DJ". No final, o conhecido produtor de progressive house nada sofreu, mas parou imediatamente o serviço e abandonou a pista duas horas antes do combinado. Tratado como acidente, os produtores da festa tentam amenizar o fato, dizendo que o dj é muito popular e querido por aquelas bandas. É possível que o indivíduo que praticou o arremesso não estivesse satisfeito com o som que ouvia, mas com certeza ele perdeu a noção da realidade, seja por abuso de drogas ou álcool.
Taí um exemplo do que excessos podem causar, num ambiente em que excessos não são raridade. Poderia citar outros casos, relatados por conhecidos, seja a garrafa d´água tacada no equipamento do Renato Cohen durante set no SkolBeats, ou quando quase caíram em cima das picapes numa apresentação de Maurício Lopes na Fosfobox, ou ainda quando pediram um drinque - isso mesmo, um drinque - enquanto a djéia Kammy tocava na Bunker. Certas situações são até cômicas, mas as que são motivadas por um misto de falta de educação, discernimento e felicidade podem gerar um incidente mais sério. O que faz alguém ficar tão bitolado que não consegue nem se lembrar da noite passada? Nem responder por seus atos? Ou ficar agressivo, gratuitamente? Pense nisso quando um amigo estiver caindo de bêbado ao seu lado. Ou pense nisso quando for beber ou abusar de qualquer outra substância. E mais respeito com quem está trabalhando!
Pois em tempos de calorosos (e põe quentes nisso) debates sobre o aquecimento global e escassez de recursos naturais, até que uma idéia como a do “Sustainable Dance Club” não chega a ser um disparate. Partindo do princípio que pessoas dançando podem gerar energia elétrica numa pista de dança, um grupo de holandeses idealizou uma casa noturna auto-sustentável, planejada para gerar o menor impacto possível no meio-ambiente. O projeto inclui oferta de cerveja orgânica, banheiros abastecidos por água de chuva, paredes que mudam de cor numa reação ao calor do ambiente e um jardim no terraço.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a arquitetura da pista de dança. Um sistema sob o chão capta toda a energia mecânica gerada pelos dançarinos na pista e a conduz até um gerador, para transformá-la em eletricidade, que pode ser utilizada nos equipamentos de som e luz do clube. Já pensou? Quem for engajado não vai querer sair da pista (e muito menos ficar parado)! O vídeo abaixo simula como funcionaria essa tal de eletricidance.